Thiago é pai e escrevo o blog “Paizinho, Vírgula” sobre criação com apego, disciplina positiva, comunicação não-violenta e parentalidade consciente. Nessa entrevista ele conta sobre sua experiência de ser pai, da criação do blog e o que pensa sobre as redes sociais como impulsionadoras de novas relações de paternidade.

1) Conte um pouco sobre sua experiência de se tornar pai e por que ela te levou a criar o blog “Paizinho, Vírgula”.

Meu primeiro filho, Dante, foi um filho muito desejado. A única coisa que eu não imaginava era como ser pai seria uma jornada tão transformadora para mim, desde a gestação da minha companheira. Aos poucos, fui compreendendo as necessidades dela e me encontrando em como dar o apoio que ela precisava para ter o parto que desejava, mas a vontade de construir um vínculo muito forte com o meu filho, e os desafios do dia-a-dia foi o que me levaram a querer dividir minha experiência com outras pessoas. A vontade de me levantar e rejeitar o título de “paizinho”, que as pessoas costumam me chamar, diminuindo minha importância e removendo minha identidade, fez com que o meu blog nascesse com o nome de Paizinho, Vírgula! Um chamado para todos os outros pais que estão buscando seus espaços como pais, não como ajudantes.

2) Desde que o blog foi criado, o que você enxerga como suas maiores contribuições para o tema da paternidade? E como isso evoluiu para um canal no youtube?

Pelas respostas que eu recebo, seja em comentários no meu blog, como em emails de leitores, percebo que as minhas maiores contribuições para a paternidade, especificamente, foram os meus relatos. Todas as vezes em que eu relatava como foi para mim viver a gestação, parto e paternidade, percebia que outros pais se sentiam representados. Todas as vezes em que falava dos meus sentimentos de medo, angústia, alegria e tristeza, outros pais se sentiam acolhidos. E é nessas identificações que nos transformamos.

3) Para você, como as relações de paternidade podem encontrar ou criar oportunidades de transformação nas redes sociais e na internet em geral? Que tipos de transformações você acha que podem criar?

Acho que a internet possibilita muita transformação para os pais de uma maneira geral, porque é um lugar onde eles podem encontrar relatos de outros pais e construir uma sensibilização que os ajuda a encontrar seus caminhos na paternidade como cuidadores efetivos. Também é o lugar onde eles podem encontrar apoio de outros pais, no que diz respeito às suas questões e sentimentos na paternidade. E, mais importante do que tudo isso, é o lugar onde eles podem escutar as denúncias de machismo e opressão que eles mesmos causam. E se nós, homens, estamos abertos a verdadeiramente ouvir, começamos a desconstruir o machismo enraizado dentro de nós.

4) Existem outros pais ou figuras masculinas de cuidado que foram importantes para a sua visão a respeito do que é paternidade?

Sim, eu tenho minhas referências de cuidado masculino, que são amigos muito queridos engajados em suas paternidades. Dentre eles, gostaria de citar o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, que vive e respira sua paternidade de uma maneira apaixonante!

5) O que você acredita que ainda é necessário mudar para que mais homens consigam transformar sua visão sobre o tema?

Eu penso que o maior inimigo para que os homens assumam suas responsabilidades como pais é a sociedade machista. O mesmo machismo que diz para os homens que eles não precisam cuidar de filhos, que isso é papel da mulher. É contra esse machismo que devemos lutar, porque não só sobrecarrega e culpabiliza a mãe, mas também impede o pai de viver uma experiência maravilhosa dentro de sua própria jornada da paternidade.