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Melhoria das condições de saúde de mães e filhos, maior desenvolvimento cognitivo das crianças, prevenção da violência no ambiente doméstico, promoção da equidade de gênero – além da melhora na saúde e bem-estar dos próprios homens.

Estes são apenas alguns dos impactos positivos da maior participação dos homens na criação e cuidado dos filhos, segundo o relatório Situação da Paternidade no Mundo, elaborado pela MenCare, uma campanha global sobre paternidade co-coordenada por Promundo .

A versão internacional do relatório – que traz informações sobre o Brasil –foi lançada no mês de junho na sede das Nações Unidas em Nova York e contou com a participação de Chelsea Clinton, vice presidente da Fundação Clinton. O documento ganha agora lançamentos em diferentes países e o próximo passo é a produção de relatórios locais. A versão nacional do documento, com dados e informações detalhadas sobre a situação da paternidade no Brasil, será lançada em agosto, mês da paternidade no país.

Segundo levantamento apresentado pelo documento, aproximadamente 80% dos homens serão pais biológicos e praticamente todos os homens – pais ou não – terão alguma conexão com crianças ao longo da vida: seja como parentes, professores, pais adotivos, padrastos, representantes legais, irmãos, tios, mentores ou como membro de uma comunidade.

Importantes transformações no ambiente de trabalho e nos lares têm incentivado uma maior participação dos homens como cuidadores: estudo realizado em 20 países identificou que entre 1965 e 2003 houve um aumento médio de seis horas semanais na contribuição de homens empregados casados no trabalho doméstico e no cuidado com os filhos.

No entanto, o relatório demonstra que em nenhum país do mundo homens e mulheres dividem estas tarefas em igualdade de condições: as mulheres compõem 40% da força de trabalho formal no mundo e 50% da produção de alimentos, mas a participação do homem na divisão das tarefas domésticas e de cuidado não acompanhou esta mudança. Elas realizam de duas a dez vezes mais o trabalho não remunerado no lar, em comparação aos homens.

E embora vários avanços tenham sido computados nos últimos anos, incluindo iniciativas de empresas para a ampliação das licenças paternidade para seus funcionários, além da flexibilidade do horário para levar filhos na escola, políticas públicas e legislações em geral não têm acompanhado as mudanças ocorridas na sociedade. A ausência de um levantamento sistemático de dados e realização de pesquisas e falta de ações para promoção da equidade de gênero são alguns dos déficits destacados pelo relatório.